A olhada dinâmica do S. XX

O cinema é um movimento artístico que consegue fragmentar uma realidade.
Existe um apelo ao movimento. No mesmo filme/slide é introduzido o tempo. Assim, une o mundo clássico com o mundo moderno/dinâmico.

Duas formas de mostrar a realidade
1. A câmara está a seguir o movimento dos protagonistas (faz um percurso linear, no mundo virtual, mas também no mundo real). Através dos momentos da câmara compreendemos diferentes dimensões do mesmo espaço, tal como no cubismo.
2.Montagem. no mesmo espaço consegue-se ter várias dimensões.
Tentativa de introdução de movimento.

Movimento através dos tecidos feitos de mármore. Entrada de luz que dá uma sensação de dinamismo de um objecto que é estável e fixo.
A olhada dinâmica do S. XX: A modernidade arquitectónica
1.A Janela Virtual

Casa feita com todos os pedaços que ele conseguiu apanhar das suas viagens. É como se os pedaços de realidade diferentes tivessem no mesmo espaço.
Assim, desvincula a ideia de limite do espaço clássico.
Já não entendemos esta casa como estável, mas com dinamismo virtual.
2.Metáfora maquinista: o futurismo

Sant’Élia tenta criar dinamismo em algo que é estático.
3.A forma dinâmica: Expressionismo

O edifício é como um submarino que se move pela terra.
4.Geometrias instáveis: Construtivismo Russo

Movimento mais compacto e procura a ideia de dinamismo e ingravidade arquitectónica.
Tenta construir realidades. Pretendia que a forma estivesse a despegar-se do chão (ideia de ingravidade). Ideia de movimento, ascensão.
Três geometrias/volumes simples:
Cubo como elemento estável que daria uma volta em si mesmo durante um ano (para dar ainda mais a noção de dinamismo).
Pirâmide elemento que também daria uma volta sobre si mesmo durante um mês (geometricamente instável).
Cilindro elemento mais ligado à população, onde daria uma volta sobre si mesmo cada dia. Mais vinculado à realidade das pessoas, onde é necessário subir para dar a ideia de ingravidade.
5.A expansão horizontal da planta livre

O objectivo era conseguir profundidade na planta (planta livre).
Expansão da planta, procura de que a caixa fechada se expanda para o exterior.
Existe a quebra da esquina, a geometria cria perspectivas diagonais e cria também um movimento de expansão do interior para o exterior e também no seu interior. Pode dizer-se que existe um fluxo de dentro para fora.
6.Plano profundo

Diferentes cenas no mesmo plano. As lanças verticais que estão pintadas em primeiro plano criam a noção de profundidade.

O muro perde o carácter de limite. A ideia é os pilares serem revestidos com um material cromático para que faça reflexos e os pilares desapareçam. É usado o mármore polido para criar reflexos para que não pareçam um limite.
Sistemas de profundidade (planta profunda)
1.Planta Aberta (a desmaterialização do muro)
Exemplo Johannes Vermeer 1632-75
Dentro de um espaço existe uma janela que dá a noção de que existe outra realidade por trás daquela janela.
2.Planta Purista (fragmentos condensados)
O objecto é o elemento que gera o quadro. Assim, o que estabelece o carácter do quadro são os objectos e as suas relações.
Assim, o mais importante são as relações que estão a ser criadas entre os objectos e não o objecto criado.
Sobreposição/profundidade. Realidade criada pela sobreposição de fragmentos diferentes.
Exemplo Pavilhão Esprit Nouveau
Planta como um quadro, profundidade pela extracção.
Se sobrepormos esta ideia de casa modelo e colocarmos umas em cima das outras damos ideia de profundidade, isto é, com um elemento sobreposto cria-se mais profundidade.
Espaço de dupla altura, novo espaço pela sobreposição de elementos.
3.Planta Deslocada (a percepção quebrada)

No interior da villa há elementos que param o nosso movimento e que nos obrigam a mudar de percurso. Expansão do tempo e do espaço para o compreender.
Existem três pedaços de três realidades diferentes que quebram a nossa percepção.
Pilar interior que rompe a simetria.
4.Planta Fluida (“a promendade” – significa o percurso feito por dentro da arquitectura)
Exemplo da Villa Savoye de Le Corbusier 1928
Espaço linear mas que permite criar uma história dentro do percurso que dá mais profundidade ao espaço.
Na entrada, no pilar que faz interrupção com a simetria, foi incorporada uma mesa para que Le Corbusier deixe lá os seus objectos pessoais (óculos, chapéu, tabaco) para se preparar para iniciar um percurso, isto é, o início da história/narrativa.
Existe uma rampa como elemento principal de ligação ao fim da história.
E no fim, volta a deixar os seus objectos numa mesa no fim do percurso (vista para a natureza). Ligação virtual entre os dois momentos.