AULA 38. Sistemas de profundidade

Sistemas de profundidade: fim do século XX
1.Concepção dinâmica do espaço (espaço concebido como se estivesse em movimento e é construído como se fosse uma fotografia congelada);
2.Sensação ou procura de não gravidade (a arquitectura não está ligada ao chão, mas sim a “flutuar” sobre nós);
3.Concepção continuamente cambiante (cada projecto é uma resposta determinada ao tempo e momento que estamos a viver).
Exemplo do Restaurante Monsoon em Sapporo de Zaha Hadid 1990
Formas que parecem estar a mover-se.
Ideia de movimento, profundidade e dinamismo.
Planta exterior muito agressiva, onde as formas são como que umas facas a dividir o espaço. E na segunda planta com elementos diferentes do rés-do-chão, com elementos mais fluidos, mais cómodos.
Elemento principal que quebra o espaço que é o elemento do projecto. Espiral suspensa no centro do espaço que quebra as duas plantas.
Clarabóia que dá luz no interior do espaço e flui pela espiral como se fosse uma casca de laranja que liga os dois andares. Dando assim aos dois espaços, dinamismo e luz. Dinamismo este, que dá a percepção do espaço.
Exemplo da Villa Na Haya de Zaha Hadid 1991
Proposta para dar nova ideia de percepção.
A casa esta criada por uma laje que tem uma casca que cresce e cria todos os espaços interiores da casa (espaço fluido e dinâmico no interior).
Existem gestos dinâmicos. Percepção dinâmica através do nosso percurso (a laje para ser percorrida).
Dinamismo não controlado, pois existem buracos que são deixados como parte interior do cubo que dão percepções diagonais.
O volume no exterior é quase um cubo. Existe uma intenção para deixar mostrar o que acontece no interior (a laje sai para fora da caixa), isto é, dentro do edifício através de uma parede envidraçada e a estrutura sai para fora da forma cúbica.
Existindo assim um movimento num elemento que é estável.
Exemplo da Villa Moebius em Het Gooi do grupo UN Studio Bem van Berkel – Caroline Bos 1991
Existe um dinamismo externo com relação com o exterior. E, existe um dinamismo interno para ser percebido através de um movimento fluido.
O nome do edifício provém de uma obra de Escher, denominada “O anel de moebius”, onde é um infinito, e por mais que as formigas caminhem nunca vão chegar a lado nenhum. Assim, comparado a este anel, o grupo faz uma comparação da vida dos habitantes da casa, e toda a casa se vai desenvolver segundo este princípio viver-dormir-trabalhar, isto é, é a ideia linear da vida que cria o espaço interior da casa (como está representado acima na imagem).
Ligação de percepção dinâmica com o terreno exterior (existe um diálogo com o entorno).
Exemplo do Terminal de Yokohama do grupo de arquitectos FOA
Edifício como uma raia gigante, onde se estão a abrir buracos na pele da raia. As ondas na cobertura confundem-se com as ondas do mar.
Não é pensado do exterior para o interior mas do interior para o exterior.
Não interessa o objecto final, mas sim a ideia inicial que foi mantida de fluxo. Tudo é estrutural, porque tudo é espaço (não existem pilares).
Existe uma comparação com a Villa Savoye de Le Corbusier, onde não existe um fim de um percurso, pois podia continuar o percurso.
A criação de novos espaços: O Espaço Plano (podemos criar espaços que não são reais – espaço plano)
Espaço Plano
1.Espaço Quadro (apanhar todas as sobreposições e colocá-las num quadro/plano)
Exemplo do filme “En construccion” de José Luis Guerín 2000
"Lo excepcional vive en lo cotidiano. Si estás habitando un espacio durante un año y pico, es imposible que no encuentres sorpresas, como esa nevada que cayó sobre Barcelona... La realidad nunca te decepciona".
José Luis Guerín (sobre el rodaje de En construcción)
A fotografia é um pedaço de realidade que seja um quadro artístico.
O exemplo da imagem do hotel, que está longe das torres, ou então são as torres que estão longe do hotel.
2.Espaço Marco (janela para ver a realidade, mas também compreendemos o que não vemos)
Exemplo da obra “As meninas” de Velazquez, D. 1656
Estamos a olhar esta situação como se fossemos o pintor.
Existem dois espelhos ao fundo, um espelho mostra o pintor a pintar as meninas e o outro mostra quem está atrás de nós (pintor) e nós estamos a vê-los.
3.Espaço Projecção (desaparecimento de todos os limites de espaço)
Exemplo Ronchamp de Le Corbusier 1954
A parede já não é um limite, mas sim uma fonte de luz.

AULA 37. Sistemas de movimento e profundidade


A olhada dinâmica do S. XX
Exemplo Cronofotografia de Etienne-Jules Marey 1883
O cinema é um movimento artístico que consegue fragmentar uma realidade.
Existe um apelo ao movimento. No mesmo filme/slide é introduzido o tempo. Assim, une o mundo clássico com o mundo moderno/dinâmico.
Exemplo “Acorazado Potemkin” de Eisenstein 1925
Duas formas de mostrar a realidade
1. A câmara está a seguir o movimento dos protagonistas (faz um percurso linear, no mundo virtual, mas também no mundo real). Através dos momentos da câmara compreendemos diferentes dimensões do mesmo espaço, tal como no cubismo.
2.Montagem. no mesmo espaço consegue-se ter várias dimensões.

Catedral Gótica Ideal de Viollet-le-Duc
Tentativa de introdução de movimento.
Êxtase de Sta. Teresa de Bernini 1645-52

Movimento através dos tecidos feitos de mármore. Entrada de luz que dá uma sensação de dinamismo de um objecto que é estável e fixo.
A olhada dinâmica do S. XX: A modernidade arquitectónica
1.A Janela Virtual

Exemplo da Casa Museu Sir John Soane 1812-34
Casa feita com todos os pedaços que ele conseguiu apanhar das suas viagens. É como se os pedaços de realidade diferentes tivessem no mesmo espaço.
Assim, desvincula a ideia de limite do espaço clássico.
Já não entendemos esta casa como estável, mas com dinamismo virtual.
2.Metáfora maquinista: o futurismo
Exemplo La Cittá Nuova de Antonio Sant’Élia 1913-14
Sant’Élia tenta criar dinamismo em algo que é estático.
3.A forma dinâmica: Expressionismo
Exemplo da Torre Einstein de E. Mendelsohn 1917-22

O edifício é como um submarino que se move pela terra.
4.Geometrias instáveis: Construtivismo Russo
Exemplo do Monumento à III Internacional de Vladimir Tatlin 1920
Movimento mais compacto e procura a ideia de dinamismo e ingravidade arquitectónica.
Tenta construir realidades. Pretendia que a forma estivesse a despegar-se do chão (ideia de ingravidade). Ideia de movimento, ascensão.
Três geometrias/volumes simples:
Cubo como elemento estável que daria uma volta em si mesmo durante um ano (para dar ainda mais a noção de dinamismo).
Pirâmide elemento que também daria uma volta sobre si mesmo durante um mês (geometricamente instável).
Cilindro elemento mais ligado à população, onde daria uma volta sobre si mesmo cada dia. Mais vinculado à realidade das pessoas, onde é necessário subir para dar a ideia de ingravidade.
5.A expansão horizontal da planta livre
Exemplo Martin House em Buffalo de Frank Lloyd Wright 1904
O objectivo era conseguir profundidade na planta (planta livre).
Expansão da planta, procura de que a caixa fechada se expanda para o exterior.
Existe a quebra da esquina, a geometria cria perspectivas diagonais e cria também um movimento de expansão do interior para o exterior e também no seu interior. Pode dizer-se que existe um fluxo de dentro para fora.
6.Plano profundo
Exemplo da pintura “Las Lanzas” de Velásquez 1634
Diferentes cenas no mesmo plano. As lanças verticais que estão pintadas em primeiro plano criam a noção de profundidade.

Exemplo do Pavilhão de Barcelona de Mies van der Rohe 1929
O muro perde o carácter de limite. A ideia é os pilares serem revestidos com um material cromático para que faça reflexos e os pilares desapareçam. É usado o mármore polido para criar reflexos para que não pareçam um limite.
Sistemas de profundidade (planta profunda)
1.Planta Aberta (a desmaterialização do muro)

Exemplo Johannes Vermeer 1632-75
Dentro de um espaço existe uma janela que dá a noção de que existe outra realidade por trás daquela janela.
2.Planta Purista (fragmentos condensados)
Exemplo da obra "Nature Morte Rouge au Violon,” de Le Corbusier 1920
O objecto é o elemento que gera o quadro. Assim, o que estabelece o carácter do quadro são os objectos e as suas relações.
Assim, o mais importante são as relações que estão a ser criadas entre os objectos e não o objecto criado.
Sobreposição/profundidade. Realidade criada pela sobreposição de fragmentos diferentes.
Exemplo Pavilhão Esprit Nouveau
Planta como um quadro, profundidade pela extracção.
Se sobrepormos esta ideia de casa modelo e colocarmos umas em cima das outras damos ideia de profundidade, isto é, com um elemento sobreposto cria-se mais profundidade.
Espaço de dupla altura, novo espaço pela sobreposição de elementos.
3.Planta Deslocada (a percepção quebrada)
Exemplo da Villa Savoye de Le Corbusier 1928
No interior da villa há elementos que param o nosso movimento e que nos obrigam a mudar de percurso. Expansão do tempo e do espaço para o compreender.
Existem três pedaços de três realidades diferentes que quebram a nossa percepção.
Pilar interior que rompe a simetria.
4.Planta Fluida (“a promendade” – significa o percurso feito por dentro da arquitectura)
Exemplo da Villa Savoye de Le Corbusier 1928
Espaço linear mas que permite criar uma história dentro do percurso que dá mais profundidade ao espaço.
Na entrada, no pilar que faz interrupção com a simetria, foi incorporada uma mesa para que Le Corbusier deixe lá os seus objectos pessoais (óculos, chapéu, tabaco) para se preparar para iniciar um percurso, isto é, o início da história/narrativa.
Existe uma rampa como elemento principal de ligação ao fim da história.
E no fim, volta a deixar os seus objectos numa mesa no fim do percurso (vista para a natureza). Ligação virtual entre os dois momentos.

AULA 36. Espaço narrativo

A construção do tempo e do espaço
No espaço focal clássico, era um espaço onde existe um ponto de vista fixo e onde a luz era o material que ajuda a compreender o limite de um espaço.
Agora, o homem já não está parado, mas sim a mover-se, criando assim um espaço narrativo, onde é o tempo que dá a matéria arquitectónica e será o que possibilita a criação de novos espaços. Assim, o tempo, a dimensão vai acompanhar-nos nesta narrativa com princípio e fim.
Cubismo
É a primeira vanguarda que quebra esta perspectiva focal clássica.
Exemplos das obras “Cabeça” (Litografia) e “Cabeça” de Pablo Picasso 1945
O tempo descompõe a realidade (cabeça) através da orientação do olhar, isto é, descompõe a realidade clássica em termos de perspectiva pela fragmentação para depois propor um espaço novo, usando a técnica da colagem. Assim, o cubismo pega em várias perspectivas e cola-as, formando novas formas, isto é, o pintor cubista, começa a mover-se em redor da cabeça copiando partes desta.
Já não interessa qual a janela por onde vemos uma nova realidade, mas das relações entre fundo e figura, isto é, a pintura já não é uma janela mas uma relação compositiva dos elementos do quadro.
Exemplo “Suprematist composition: Blue rectangle over purple beam” de Malevich, K. 1916
Compreendemos as figuras em movimento a três dimensões.
O movimento já não é a fragmentação do olhar, mas sim a narração (tempo) que existe com os elementos do quadro.
Exemplo “Suprematist Composition: White on White” de Malevich, K. 1918
Exemplo do filme “El acorazado Potemkin” dirigido por Sergei M. Eisenstein 1925
O cinema também usa estas fragmentações. Constrói um espaço novo, que está por trás do ecrã do cinema e este espaço também serve para que o cinema seja construído.
Assim, pode dizer-se que quem percebe o mecanismo do cinema, percebe o mecanismo de arquitectura.
Com um obstáculo criamos um novo espaço, isto é, é através da câmara que é criado um novo espaço. Existindo uma multiplicidade de espaços, onde há diferentes espaços (o espaço que está a acontecer e o espaço que está a acontecer para lá da câmara – obstáculo). Assim, existem espaços que não se vêem, mas que se compreende estarem lá.
Cada fotograma está a descompor uma cena de diferentes pontos de vista e em diferentes momentos, mas compreendem a acção narrativa que se passa noutro lugar.
Pode dizer-se que existe uma narração através desse espaço.
O Espaço Narrativo
O tempo é importante para construir este espaço arquitectónico. Assim, o tempo na nossa visão é importante para compreender a arquitectura.
Exemplo da Villa Savoye de Le Corbusier 1928
Está feita para que haja um percurso dentro da casa, para só a percebermos depois de nos movimentarmos e a virmos de vários pontos de vista.
Existe uma percepção do olhar, que não está fixo num ponto (se estivermos parados dentro da Villa Savoye, existe um espaço focal clássico), frente a uma sucessão de sensações que acontecem segundo esta narração criando um novo espaço.
Então, os dois espaços (focal clássico/narrativo) estão juntos no mesmo projecto. Estes estão sempre juntos, mas actuam de modo diferente.
Assim, este espaço está criado não por uma percepção estável, mas por uma sucessão de sensações. É isto que constrói o espaço. Evitando um ponto de vista único e estável. Tem o propósito de criar uma sensação real. Não é um espaço virtual nem de projecção, mas sim um espaço real em que nos estamos a mover.
O percurso Arquitectónico
O percurso já pode estar previsto na concepção do espaço arquitectónico. Percurso que nos dá a ideia de chegar a algum lado.
Exemplo da Acrópoles de Atenas (desenho de Le Corbusier na visita à Grécia)
Existe uma criação de emoções.
O percurso é formado por uma sinfonia perspectiva de imagens, isto é, formado por um conjunto de imagens feito através do movimento e do percurso.
Assim, a boa arquitectura é caminhada/percorrida e há só um percurso desde fora e desde dentro. O percurso deve estar no controlo da arquitectura para criar sensações.
O tempo como categoria arquitectónica (ideia de movimento). Pois, o controlo do movimento já está na essência do objecto arquitectónico.
Exemplo da Pirâmide de Djozer em Sakkara 2778-23 a.C.
Complexo funerário, fechado com uma muralha e tem a pirâmide no centro como fim de percurso sequencial, tal como na Grécia, onde o templo também é o fim do percurso. Apenas existe uma única entrada (por onde é feito o percurso), porque só existe um único acesso entre o espaço dos vivos e dos mortos.
O percurso está condicionado à sequência de emoções que criamos com o nosso movimento. Percurso segundo um eixo de simetria.
Edifício caracterizado pela ortogonalidade, carácter fechado, divisão muito estrita entre o espaço interior/exterior (mundo dos mortos/vivos).
Exemplo das Pirâmides de Gizé 2723-2584 a.C. (Photo from Google Earth)
Existe uma sequência de construções, de emoções, desde o percurso do morto pelo Rio Nilo à chegada aos templos e levados por um corredor até à pirâmide.
A pirâmide é assim o fim da sequência de percepções.
Estes espaços apenas têm sentido se passar um percurso por eles. Assim, estes espaços não estão feitos para ser funcionais mas sim para ter percursos, essa é a sua função.
O percurso será, o morto é preparado no rio, embalsamado e depois passa pelos percursos (rituais funerários) e é enterrado.
Exemplo do Templo deir el Bahari em Hatshepsut 2723-2584 a.C.
O percurso para chegar ao fim da tumba é o elemento principal da construção.
Existe um eixo de simetria que é ao mesmo tempo, o eixo de movimento para chegar ao templo. Existe ainda uma ideia de ascensão até chegar à tumba.
Exemplo “Vers Une Architecture” de Le Corbusier”

Das viagens que realizou à Grécia e ao Egipto, Le Corbusier tenta compreender a essência formal das construções, os mecanismos essenciais das coisas. Para isso, estuda as regras físicas das construções e diz que confunde uma pirâmide com uma “montanha de lixo”, pois têm as mesmas regras físicas.
Assim, não existe uma razão humana para as formas das pirâmides, mas regras físicas que podem causar emoções arquitectónicas.
Regras físicas para causar emoções (exemplo do Mosteiro de La Tourette de Le Corbusier 1953-60)
1.Superfície

É aquilo que fecha o volume, que fecha o espaço, sendo um elemento essencial para a arquitectura.
2.Volume

Possibilita jogar com o cheio e o vazio do próprio edifício.
3.Planta

A planta é o controlo de todas as regras físicas em termos de percursos perceptivos, como liga as diferentes funções, isto é, compreensão de como vamos mover-nos por este edifício, qual vai ver o nosso percurso.

Le Modulor de Le Corbusier 1945
A técnica seria o controlo da sua “máquina de habitar”, isto é, o apoio para o controlo da casa de habitar.
A casa devia ser feita como uma máquina (carro, transatlântico, avião). Vai essencializar a arquitectura.
Elementos usados para o controlo das partes de sua máquina. As formas arquitectónicas conseguem estabelecer entre elas um diálogo contínuo que tem como consequência a sensação.
Existe assim uma procura das regras físicas que possam organizar estas formas e estuda os seus coeficientes.
Assim, a arquitectura é uma máquina estática e o elemento que se move é o homem e é necessário o movimento deste elemento (homem). Todos os elementos da máquina estão feitos para controlar o movimento, para isso, Le Corbusier usa as regras físicas.
Exemplo da Villa La Roche-Jeanneret de Le Corbusier 1923
Le Corbusier não gosta de usar o eixo de simetria dos elementos compositivos juntamente com o eixo de movimento do homem. Este eixo está assim controlado de acordo com que o eixo de movimento do homem não esteja coincidente com o eixo de simetria, criando assim uma antimetria (assimetria) perceptiva.
Pois, o homem tem olhos e estes não podem estar tapados pela simetria dos elementos compositivos. Assim, Le Corbusier usa a simetria no volume de percepção mas que não está no mesmo eixo de simetria do percurso.
Ideia de contorno das formas geométricas para criar mais movimento à nossa percepção.
Existe um pilote que orienta no percurso do homem (ideia de eleição entre esquerda e/ou direita – ideia de controlo), e que fica na mesma linha do eixo de simetria do volume menor, mas que não está no eixo de simetria do percurso.

Exemplo da Villa Stein de Le Corbusier 1927
Contém duas fachadas distintas uma da outra. O acesso à casa é sempre feito com carro (já está pensada para o carro). Estabelece uma percepção diferente em relação ao eixo de percurso e ao eixo de simetria.
Existe uma hierarquia entre o acesso pedonal e o acesso de veículos.
Contém duas entradas, mas existe uma hierarquia dos acessos, pois uma entrada cria um momento de percepção maior pois possui uma pala.
A fachada entra em contacto com o solo, não está elevada sobre pilotes dando assim uma maior noção de parada.
Formas curvas, convexas, côncavas para fazer parar ou controlar o percurso. Tal como a existência de pilotes em forma ovóide para dar mais rapidez na orientação do percurso.
Exemplo da Villa Savoye de Le Corbusier 1928
Neste projecto estão inseridos os ensinamentos de Le Corbusier. Está feita também para o acesso de automóveis. Assim é, que o carro é o elemento principal de chegada a casa.
Simetria compositiva da casa diferente ao eixo do acesso para a casa.
Existe um pilar central que cria um eixo de simetria.
No interior da casa, Le Corbusier quer que encontremos um percurso interior. Existe numa fase, duas escolhas de percurso, pois um pilote quadrado vai estar em diálogo com a curvatura da escada.
Existem pavimentos em diagonal, isto é, espaços de percurso (espaço narrativo), dinâmico. Noção de quando o pavimento é ortogonal dá ideia de parado. Estes pavimentos diagonais querem dar ainda a sensação de movimento de percurso, com um fim controlado que é o topo.
Existe um lugar fechado (como nos templos egípcios), mas neste caso aberto para voltar o homem para o exterior, é um marco do interior para o exterior.
Assim, o marco voltado para a natureza é o fim do percurso estrito.
Exemplo do Projecto “Museu do Conhecimento Ilimitado” de Le Corbusier 1939
Ideia de que o percurso já está na própria ideia do projecto. É uma ideia de um percurso para chegar a um fim.
Percurso centrífugo, feito do interior para o exterior. Funciona quase como que uma carapaça de um caracol. O edifício está suspenso sob pilares.
Uso da geometria em conjugação com a percepção de sensações.
Exemplo do Palácio de Congressos em Estrasburgo de Le Corbusier 1964
O projecto é como que um sistema digestivo. Onde o “bolo alimentar” entra para esse sistema digestivo e começa um percurso muito controlado para um fim completamente diferente do início.
Existe uma rampa superior que comunica como se fosse o intestino grosso.
O fim do percurso é realizado através de um elevador.
Exemplo Kunsthal de Rem Koolhas 1987-92
Já no logótipo do edifício existia a ideia de movimento, como se fosse uma máquina de habitar.
O edifício encontra-se situado entre a cidade antiga e o cais de Roterdão. Está num ponto que estabelece uma ligação entre a cidade antiga e a cidade nova. Ligação feita por uma rampa que quebra o edifício em duas metades.
Existe uma comparação das fachadas diferentes porque responde a cada realidade para onde as fachadas estão viradas. Assim, cada parte responde ao que está a acontecer no exterior.
Uma melhor observação ao edifício, repara-se que está dividido em quatro partes por dois eixos. Um é a rampa que faz a ligação dos dois lugares (cidade nova/cidade antiga) e o outro eixo é uma abertura por onde passa uma estrada por baixo do próprio edifício.
Existe assim, uma procura de uma sucessão de emoções por todo o edifício. Sendo as rampas que são levadas ao exterior criando uma ligação maior com o exterior, ou as árvores artificiais que “trazem” o jardim para o interior do edifício.

AULA 35. Espaço focal clássico

Perspectiva como racionalidade e artifício
O espaço Focal Clássico (espaço onde estamos – estável)

A perspectiva é um instrumento para definir um espaço estável, onde nos encontramos (espaço focal clássico).
Espaço Focal Clássico
1.Constante (estamos parados a olhar)
2.Homogéneo (quando estamos a mover-nos, estamos a modificar o espaço)
3. Isótropo
Perspectiva como racionalidade
Grande meio de representação para mostrar o espaço clássico porque tem uma base geométrica (conseguimos dimensionar de forma exacta).


A perspectiva nasceu no Renascimento através de grelhas que usavam para desenhar com mais precisão e fidelidade o que é real (método dos quadradinhos).
Assim, o que está em realidade, é representado da forma mais fiel possível.
Exemplo da Cidade de Urbino, círculo de Piero della Franscesca
Exemplo “A Trindade” de Masaccio

Na pintura usava-se a perspectiva para dar mais profundidade.
Exemplo Logia do Hospital dos Inocentes em Florença de Brunelleschi

Quando estamos dentro do edifício conseguimos compreender as dimensões do espaço (perspectiva como racionalidade).
Existe uma ordem geométrica simples (arcadas). As colunas estão à mesma altura que as portas, para dar uma noção de um espaço tridimensional cúbico (malha cúbica).
Conseguimos compreender o espaço quando estamos a olhar para esse espaço, é como se fosse um espaço desenhado.
Exemplo de Santa Maria del Fiori em Florença de Brunelleschi
A perspectiva exterior dá a perceber como vai ficar a cúpula na cidade de Florença (a cúpula tem um significado de infinito).
Exemplo da Casa Tateshina em Nagano de Waro Kishi 1992

A cobertura cria o conceito do lugar como na cabana primitiva.
Malha geométrica para que se compreenda o interior também deixado à vista para os elementos estruturais serem vistos no exterior para que se compreenda do lado de fora o espaço interior.
No seu interior também tem os elementos estruturais à vista para que se percebam as dimensões. A perspectiva liga a fase do projecto com a realidade.
Perspectiva como artifício
Exemplo da Praça de S. Pedro em Roma de Bernini G. L. 1667
O arquitecto usa a perspectiva para compreender as dimensões como se o desenho e a perspectiva se relacionem bem, isto é, usa a perspectiva para modificar a percepção das dimensões da fachada para os nossos olhos, ou seja, muda a percepção do espaço. Assim, a perspectiva é o método de representação mais exacto para compreender o que vai ser construído posteriormente.
A forma do trapézio observada no chão, faz com que a fachada da igreja pareça mais pequena.
O arquitecto quer que a fachada da igreja seja mais pequena para que a perspectiva da cúpula pareça mais próxima.
Usa ainda a perspectiva para modificar a sensação de permeabilidade da praça, isto é, quando nos movemos vemos as colunas a aparecer.
Exemplo da Galeria do Palácio Spada em Roma de Borromini 1652
Modifica as dimensões das colunas para que pareça que o corredor é muito maior do que realmente é.
Parece que a altura da cobertura é a mesma, mas na realidade também não o é.
Exemplo da Scala Regia em Roma

Modifica a dimensão das escadas. Assim, quando estamos no início da escada, esta parece muito mais comprida daquilo que é.

Exemplo Suprematism de Malevich, K.

O objectivo era criar movimento numa pintura estável a duas dimensões, e ainda que fosse vista como tendo profundidade.
Ideia de que um espaço homogéneo pode ser modificado, assim trapézios são como que rectângulos a mover-se (dimensão através de movimento).
Exemplo da Casa-Atelier Ron Davis na Califórnia de Frank O. Gehry 1968
Jogos de perspectiva (com o espaço, mas também por parte do receptor) que tornam a dimensão maior que a realidade.
O espaço é ampliado com a ajuda da perspectiva. Assim, o espaço parece muito mais comprido do que o que realmente é.
Criação de uma maior amplitude quando os muros das paredes não chegam até cima, onde é visível a linha de cobertura na diagonal.
Exemplo Porters Lodges National Park De Hoge Veluwe do grupo MVRDV 1996

Ao todo são três pavilhões, tendo significados diferentes. Um representava a natureza (feito de madeira que representava a união com a natureza), outro representava a arquitectura (feito de tijolo como união à arquitectura) e o último representava a escultura (feito de aço representava assim a união com a escultura).
O uso desta perspectiva acentuada é para criar efeitos aos pavilhões quando vistos de fora (deformações fotográficas da perspectiva, isto é, deformação dos pavilhões como que se tratasse de uma fotografia). Apenas temos a noção do edifício se andarmos à volta dele.
O espaço arquitectónico pode ser mudado pela intervenção de luz e com a perspectiva podemos criar ilusões na arquitectura.