AULA 35. Espaço focal clássico

Perspectiva como racionalidade e artifício
O espaço Focal Clássico (espaço onde estamos – estável)

A perspectiva é um instrumento para definir um espaço estável, onde nos encontramos (espaço focal clássico).
Espaço Focal Clássico
1.Constante (estamos parados a olhar)
2.Homogéneo (quando estamos a mover-nos, estamos a modificar o espaço)
3. Isótropo
Perspectiva como racionalidade
Grande meio de representação para mostrar o espaço clássico porque tem uma base geométrica (conseguimos dimensionar de forma exacta).


A perspectiva nasceu no Renascimento através de grelhas que usavam para desenhar com mais precisão e fidelidade o que é real (método dos quadradinhos).
Assim, o que está em realidade, é representado da forma mais fiel possível.
Exemplo da Cidade de Urbino, círculo de Piero della Franscesca
Exemplo “A Trindade” de Masaccio

Na pintura usava-se a perspectiva para dar mais profundidade.
Exemplo Logia do Hospital dos Inocentes em Florença de Brunelleschi

Quando estamos dentro do edifício conseguimos compreender as dimensões do espaço (perspectiva como racionalidade).
Existe uma ordem geométrica simples (arcadas). As colunas estão à mesma altura que as portas, para dar uma noção de um espaço tridimensional cúbico (malha cúbica).
Conseguimos compreender o espaço quando estamos a olhar para esse espaço, é como se fosse um espaço desenhado.
Exemplo de Santa Maria del Fiori em Florença de Brunelleschi
A perspectiva exterior dá a perceber como vai ficar a cúpula na cidade de Florença (a cúpula tem um significado de infinito).
Exemplo da Casa Tateshina em Nagano de Waro Kishi 1992

A cobertura cria o conceito do lugar como na cabana primitiva.
Malha geométrica para que se compreenda o interior também deixado à vista para os elementos estruturais serem vistos no exterior para que se compreenda do lado de fora o espaço interior.
No seu interior também tem os elementos estruturais à vista para que se percebam as dimensões. A perspectiva liga a fase do projecto com a realidade.
Perspectiva como artifício
Exemplo da Praça de S. Pedro em Roma de Bernini G. L. 1667
O arquitecto usa a perspectiva para compreender as dimensões como se o desenho e a perspectiva se relacionem bem, isto é, usa a perspectiva para modificar a percepção das dimensões da fachada para os nossos olhos, ou seja, muda a percepção do espaço. Assim, a perspectiva é o método de representação mais exacto para compreender o que vai ser construído posteriormente.
A forma do trapézio observada no chão, faz com que a fachada da igreja pareça mais pequena.
O arquitecto quer que a fachada da igreja seja mais pequena para que a perspectiva da cúpula pareça mais próxima.
Usa ainda a perspectiva para modificar a sensação de permeabilidade da praça, isto é, quando nos movemos vemos as colunas a aparecer.
Exemplo da Galeria do Palácio Spada em Roma de Borromini 1652
Modifica as dimensões das colunas para que pareça que o corredor é muito maior do que realmente é.
Parece que a altura da cobertura é a mesma, mas na realidade também não o é.
Exemplo da Scala Regia em Roma

Modifica a dimensão das escadas. Assim, quando estamos no início da escada, esta parece muito mais comprida daquilo que é.

Exemplo Suprematism de Malevich, K.

O objectivo era criar movimento numa pintura estável a duas dimensões, e ainda que fosse vista como tendo profundidade.
Ideia de que um espaço homogéneo pode ser modificado, assim trapézios são como que rectângulos a mover-se (dimensão através de movimento).
Exemplo da Casa-Atelier Ron Davis na Califórnia de Frank O. Gehry 1968
Jogos de perspectiva (com o espaço, mas também por parte do receptor) que tornam a dimensão maior que a realidade.
O espaço é ampliado com a ajuda da perspectiva. Assim, o espaço parece muito mais comprido do que o que realmente é.
Criação de uma maior amplitude quando os muros das paredes não chegam até cima, onde é visível a linha de cobertura na diagonal.
Exemplo Porters Lodges National Park De Hoge Veluwe do grupo MVRDV 1996

Ao todo são três pavilhões, tendo significados diferentes. Um representava a natureza (feito de madeira que representava a união com a natureza), outro representava a arquitectura (feito de tijolo como união à arquitectura) e o último representava a escultura (feito de aço representava assim a união com a escultura).
O uso desta perspectiva acentuada é para criar efeitos aos pavilhões quando vistos de fora (deformações fotográficas da perspectiva, isto é, deformação dos pavilhões como que se tratasse de uma fotografia). Apenas temos a noção do edifício se andarmos à volta dele.
O espaço arquitectónico pode ser mudado pela intervenção de luz e com a perspectiva podemos criar ilusões na arquitectura.