AULA 30. Função e razão

A procura da razão arquitectónica
Todos os elementos arquitectónicos estão por trás de uma razão lógica, razão prévia que condiciona a arquitectura.
Existe uma procura do arquétipo da cabana primitiva de Semper (procura do elemento que dá resposta a condições prévias, como abrigar o fogo, assim necessita de características precisas e todos os elementos devem seguir este objectivo).
Assim, a arquitectura está baseada no necessário.

“Nada deve ser feito sem um fim”
Semper

Existe um objectivo prévio que deve vir no começo de um projecto e não no fim.
É necessário que a arquitectura dê a razão de tudo o que faz, isto é, quando algo está justificado, apenas podemos concordar ou discordar.
Deve dar-se maior importância da função sobre a forma em vez de ornamentação inútil.
A arquitectura está baseada no necessário conforme quatro princípios
1.Toda a sua beleza surge das necessidades do edifício;
2.Todo o supérfluo tem que ser eliminado;
3.Tudo depende da função. Tem que se abandonar o desejo de adornar;
4.O arquitecto tem que perguntar a cada parte do edifício. Quem é? Para que está feito? Qual é o teu cometido? Cumpres com a tua função? (Louis Kahn também pergunta. O quê? Para quê? Como?).
Exemplo da Biblioteca Nacional de Paris de Henri Labrouste 1845
É necessária uma iluminação, logo, as cúpulas são construídas para dar resposta a uma função prévia.
Uso de formas racionalistas e ornamentação apenas o necessário e a um nível mínimo.

Função e razão S.XX
Exemplo Weissenhof Siedlung em Stuttgart de Walter Gropius 1927 (Folheto de todos os arquitectos e respectivos edifícios a participarem no concurso)
Existe um primeiro estudo de várias edificações simples para depois fazer uma seriação.

Exemplo “Vers Une Architecture” de Le Corbusier”
Procura de uma habitação em série.
“A casa é uma máquina de morar”, onde todos os elementos têm uma razão estrita. Ideia de criação de uma máquina de morar para dar resposta à habitação na altura.

Estudos das necessidades humanas para habitar
1.O homem necessita de uma superfície horizontal – laje horizontal sobre pilotes (a arquitectura está desvinculada do lugar);
2.Toda a função humana precisa de luz para ser realizada (as fachadas são fontes de luz e não paredes sólidas);
3.O tabique é um elemento que só delimita superfícies com distintas funções. As divisões estão livres da estrutura (as paredes podiam adaptar-se segundo a função que iam desempenhar e o fechamento depende da função e não da estrutura).
Exemplo da Villa Savoye de Le Corbusier 1928
É o símbolo de funcionalismo do séc. XX. Existindo um estudo de tradição clássica na procura da beleza, atribuindo à forma a beleza em si mesma.
Para Le Corbusier, a arquitectura é o “jogo magnífico das formas primárias”. Não é um funcionalista estrito, pois existe uma contradição de procura da razão do objecto arquitectónico com a beleza das formas em si mesmas.
No funcionalismo, a forma segue a função e no racionalismo, a função é uma das principais razões que influenciam a arquitectura, mas não é a única.
Exemplo da Casa “Domino” de Le Corbusier 1914
O protótipo contém as ideias de lajes horizontais para desenvolver as funções básicas humanas. Existência de uma comunicação livre (escadas) e também de uma estrutura livre (planta e fachada livres).
Estamos elevados no terreno, assim, o edifício é pensado de forma independente ao lugar. O nome “domino” significa que a casa podia ser realizada de várias tipologias e maneiras diferentes de habitação. Existindo inúmeras possibilidades de desenho urbano.
Exemplo Maison Citrohan de Le Corbusier 1920
A casa é uma “máquina de morar”, pois pode ser feita como um protótipo de automóvel.
Ao contrário da casa “domino”, não contém pilares interiores e as duas paredes laterais criam um espaço vazio central. Existindo uma geometria muito estrita.
Fachada e planta livres e janelas grandes, havendo uma resposta às necessidades humanas prévias.
Ideia de que a casa pode estar construída em qualquer lugar. E, a união da ideia da casa “domino” com a ideia da casa Citrohan, resultaria na elevação da casa Citrohan.
Exemplo de Cidade Operária Pessac em Bordeaux de Le Corbusier 1925
Existe uma multiplicação da casa Citrohan onde cada uma das casas, partilhando a mesma estrutura formal podem ser diferentes umas das outras, isto é, cada casa pode ter estruturas diferentes e partilhar das mesmas razões.
Exemplo da Casa Monol de Le Corbusier 1919
Desaparecimento de uma das paredes laterais para união com outras habitações, criando assim uma ampliação de uma nave principal.

Exemplo de Weissenhof Siedlung em Stuttgart de Le Corbusier 1927
Mais uma vez, aparece a colina que foi concurso com a participação de vários arquitectos, entre eles, Le Corbusier que cria uma habitação com a união dos dois protótipos.
Exemplo de Casa para artesão de Le Corbusier 1916
Ideia de elemento mínimo, mas no interior existe a multiplicação de um espaço muito grande.
Existe um pilote central que além de ser estrutural, é também funcional (esgotos). O primeiro andar é um espaço muito baixo, que tem a altura mínima do modulor.
Existe uma colocação livre e sem qualquer sentido das habitações (assim, é possível ver que o Le Corbusier não era assim tão funcionalista).