AULA 31. Bloco como paradigma moderno

Depois da procura da razão (séc. XVIII) o principal objectivo é a ideia de que a arquitectura necessitava de causas para o seu desenvolvimento. Pois, cada função precisa de seu espaço. Assim, consistia na conjugação de várias habitações num só bloco.
A arquitectura deve solucionar o problema (depois da primeira guerra) de forma rápida, económica e social (mais à frente iremos observar vários princípios).
O movimento moderno estuda as possibilidades de habitação colectiva, o bloco.
Exemplo Plan Voisin em Paris de Le Corbusier 1922
Procura a aplicação dos princípios das necessidades humanas (já observadas no tópico anterior).
Assim, estuda a melhor maneira como deve ficar esta habitação colectiva. Usa a geometria através de um sistema para criar a melhor maneira possível para criar novos distintos habitacionais. E este espírito de criar novas habitações racionais influenciou outros projectos futuros.
Exemplo Immeuble-Villa de Le Corbusier 1922 e Mosteiro de Ema
Le Corbusier, depois de uma viagem a Itália, e visitado o mosteiro de Ema, faz um estudo sobre a ideia para criar um bloco de habitações. Faz assim, uma multiplicação (colocando umas sobre as outras) da casa principal, como protótipo ideal.
Cada habitação era individual, mas existiam espaços colectivos (ginásios, bibliotecas, etc.).
Exemplo Britz Siedlung de Bruno Taut e Martin Wagner
Este edifício é uma influência de Le Corbusier na criação de edifício racionais. Eram assim, habitações criadas para se distinguirem das casas tradicionais existentes.
Superação da escala arquitectónica
1ª Etapa: espaço individual para ser habitado;
2ª Etapa: como se deveria projectar um agrupamento de células para criar edifícios para serem habitados.
Exemplo Romerstadt Siedlung em Frankfurt de Ernst May 1926-28
Investiga como se devem agrupar estas novas habitações. Através de uma investigação formal, vai criar vários modelos até atingir a melhor maneira de habitação.
1º Modelo: sistema de agrupamento colectivo. Mas era um modelo com problemas a nível de orientação, ventilação, iluminação, temperatura, etc.
2º Modelo: no mesmo espaço multiplicam-se pedaços mais pequenos, dando novas soluções às questões de ventilação, quebrando as esquinas.
3º Modelo: converte a forma fechada inicial em novas formas lineares com melhores condições.
Exemplo Weissenhof Siedlung em Stuttgart de Ludwig Mies van der Rohe 1927
Novamente, voltamos a analisar a colina dividida em várias quintas, onde Mies convidou vários arquitectos para criarem habitações, tais como Le Corbusier ou Gropius, já aqui analisadas as suas habitações.
Assim, todas as habitações eram diferentes, menos a que Mies projectou, que era um bloco de edifícios construído como elemento único.
Existiam duas fachadas principais com igual importância (com melhor orientação), onde existia a noção de que estes elementos podiam repetir-se até ao infinito.
É um bloco linear apoiado num terreno jardinado, é dividido por 4 partes, formado por um elemento que é repetido quatro vezes. Contém paredes brancas (limpas, puras, modernas), volumes cúbicos e janelas corridas (como resposta às necessidades humanas).
Introdução de um novo conceito, a 5ª fachada, que já não serve apenas de abrigo, mas deveria ser tratado como uma das fachadas.
Cada bloco de habitações contém o mesmo sistema. As paredes interiores são muito livres, colocadas segundo a função que iam desempenhar (limita as diferentes funções dos espaços). Existe assim, uma economia na construção pois podem ser pré-fabricadas.
Arquitectura racionalista observável no desenho das plantas, onde a funcionalidade não é o único elemento.
Exemplo de Habitação Narkomfin em Moscovo de Moisei Ginzburg 1928
Também na Rússia existiu uma necessidade de procurar uma melhor habitação colectiva.
A diferença entre o bloco de habitações de Le Corbusier, era a necessidade de um bloco com funções de dormitório e outro bloco com funções sociais (cozinhas, salas de convívio).
Existe uma multiplicação de espaço onde por fora o edifício dá a percepção de que tem cinco andares, mas que no seu interior apenas tem duas ligações com os pisos, sendo as habitações divididas em duplex. Existindo um corredor com objectivo de convívio e ligação com todas as habitações.
Resumo da procura de habitação em termos de blocos
1.Rigidez formal (5ª fachada – cobertura – era tratada como as fachadas);
2.Negação do espaço urbano clássico (bloco colocado de forma moderna, forma nova);
3.Diversidade na distribuição.